domingo, 16 de maio de 2010

da tristeza

Nem a taciturna e enfadonha melancolia portuguesa, hereditária e patológica; nem a dramática tristeza espanhola, afiada e hemorrágica como navalha; nem a melancolia gastronômica dos italianos, mediterrânea e exagerada, farpada e temperada, servida sempre em doses cavalares; nem a verborrágica e metafórica tristeza francesa, rancorosa, analítica e existencial; nem a melancolia cirúrgica dos alemães, a fria e permanente tristeza germânica, precisa, impermeável e inoxidável; nem a tristeza-espetáculo dos americanos, barulhenta e espalhafatosa, rasa como um espelho d'água; nem a prática e fleumática melancolia britânica, comedida e racionada, derramada a conta-gotas como em tempos de guerra; nem a tristeza glacial dos escandinavos, silenciosa e cortante como brisa ártica; nem a estóica tristeza alcoólica dos russos, árida e gelada como uma estepe; e muito menos a melódica tristeza oriental, sábia e conformada, esculpida graciosamente e dobrada como um origami. A minha tristeza é tropical, quente e desmedida, tão sem propósito e desengonçada quanto o voo de um albatroz.

4 comments:

Naná Bia disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
André disse...

Lindo como o pôr do sol, como o amanhecer, como o brilho no olhar de uma criança, como o meu pau saindo de uma vagina verde esmeralda.
ahh cansei de ser imbecil.
bjo te amo.. e amo tudo que escreve.. não porque sou irmão... porque você é o verdadeiro retrato de um escritor

Maria do Rosário disse...

Maravilhoso esse texto.

Anônimo disse...

Demais!
Valeu!

Fabi