quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

i am quantum

Se a filosofia, como ciência, nos ensinou alguma coisa, é que a lógica dos silogismos não se aplica às interações humanas.

Com exceção de alguns poucos e miseráveis xiitas, que questionam a existência até mesmo do que está bem diante de seus olhos - em um "aquilo não é um automóvel vindo na minha direção, é apenas a ideia de automóvel vindo na minha direção" sort of way -, a grande maioria dos filósofos e da sociedade civil, da plebe à burgeoisie mais pedante, não duvida do que é nítido, mensurável e observável a olho nu.

O improvável, entretanto, é outra história. Não vou nem entrar no mérito do sujeito versus objeto, nem pretendo fintar uso de jargonismos que não domino com segurança o suficiente para evitar dar-me eu mesmo o nó em torno do pescoço. Foda-se a epistemiologia e foda-se a hermenêutica. É pra ser mais simples do que isso.

O improvável humano. Aquilo que não é nítido, mensurável, e muito menos observável a olho nu, o ingeneralizável e inteorizável subjetivo. O irredutível subjetivo. Como um gaulês, é a teimosia perene e frustrante do imprevisível, o conflito eterno entre lógica e superstição, o pai e a mãe das "ciências" humanas, que têm muito menos de ciência do que de humanas. Rá.

Pode parecer sensato, quando do surgimento de um problema na construção de uma ponte, consultar um livro de física. A mecânica, a estática, estão ambas ali descritas em suas leis imutáveis, mensuráveis e observáveis. Funciona sempre.

Tudo bem, a rigor estou exagerando. Tenho consciência de que as generalizações não são de facto verdades absolutas, seja nas exatas ou em qualquer outra ciência. Mas esse não é o ponto. O ponto é a ordem. A absoluta vontade, o impulso, a necessidade física de ordenar, nomear, classificar e acumular tudo. Isso funcionou em certa medida com o conhecimento científico e tecnológico. Mas é só colocar gente no meio que vem tudo abaixo.

Analistas e especialistas do comportamento humano, entretanto, pisam eternamente em ovos de Colombo, e assim estão, mais cedo ou mais tarde, fadados ao ridículo. Os self-proclaimed orientadores, conselheiros, videntes, consultores, os portadores da luz, eles não passam dos cegos de Saramago, às escuras, guiando outros cegos. Ciganos, profetas, cartomantes, analistas, freudianos ou não, Paulos Coelhos, Dr. Loves, Tias Velhas, CVVs, todos sonham com a fórmula da vida, a verdadeira pedra filosofal que generalize e traduza em ordem os comportamentos e aponte uma saída universal, um certo e um errado, um refúgio perene contra a dor, um polo norte moral e cívico. Ordem, a derradeira e impossível obsessão.

Não se dão conta de que somos o próprio caos encarnado. Nós os traímos, os charlatães, e também somos traídos por eles. Ora somos isso, ora aquilo, sempre parte integral do que existe de mais aleatório. Subvertemos as leis naturais, mensuráveis, observáveis e generalizáveis. Muito além de Heisenberg e de seu princípio da incerteza, nós somos a improbabilidade, a impossibilidade. Nós somos quânticos.

if you go about searching for evidence, going through all sorts of different stories, paths, lessons and examples, trying to prove whichever nonsense you may find more convenient, then amongst pros, cons and random absurdities you'll only end up finding yourself hopelessly unproven. Because life's a bitch, and you're such a lousy pimp.

1 comments:

thiago earp disse...

pronto, consertado. my mistake.