segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

#3

São ônibus, aviões, trens, carros, bicicletas, movimento. É mais do que movimento, é estranhamento. É estranho, ao mesmo tempo. É tanta pressa, tanta coisa e tão pouco tempo. Você olha e fica pensando, caralho, como foi que eu cheguei até aqui?

Afinal, que correria inútil... aonde é que você queria chegar, mesmo? Mês passado eu corri tanto que meus pés incharam de cansaço, e não foi só isso. Tinha alguma outra coisa que tinha mudado, mas não sei dizer o que foi. As coisas sempre mudam, e dificilmente você consegue dizer com certeza o que é que ficou diferente.

Uma rua pode dizer muita coisa. Um lugar diz muita coisa sobre quem olha pra ele. E se você para e olha bem, dá quase pra sentir o cheiro do tempo no concreto. Ele não deixa de ser só concreto por isso, e em última análise o cheiro é - e sempre foi - só seu.

Dia sim e dia não, meu irmão, eu penso em como seria se cada coisinha tivesse sido diferente. Se não tivesse arranhado tanto e tantas vezes, se eu nunca tivesse saído daquela nossa cidadezinha, pra começar, qual seria o tamanho dos meus sonhos, hoje?

Mas aí eu percebo que é besteira, foi tudo como foi, e basta. Pensar no que teria sido é tão útil quanto um peixe com rodas. De qualquer maneira, não importa; meus sonhos são bonitos como são, e tenho apenas tanta certeza quanto qualquer mamífero pode ter.

E sigo o meu caminho, andando, trabalhando, não trabalhando, respirando, bebendo, dormindo, não dormindo às vezes, ouvindo música, ficando doente, melhorando, tentando, tentando mais, pesando mais e pesando menos, fazendo planos, fazendo promessas, cumprindo algumas, outras nem tanto, feliz aniversário, ficando mais velho, nem sempre mais feliz, às vezes sim, outras não, mas sempre vivo. Sempre.

O tempo é tão curto... você pode tentar dar um nó nele, mas, no final, ele sempre acaba ganhando. E, no entanto, isso não quer dizer que você tenha perdido.

Que bom que é assim.

3 comments:

Mila disse...

Quase sempre, o que fica diferente é a gente. Adorei a referência ao cheiro do ralo. Bjs

Athena disse...

Minha mãe disse um dia: "...é estranho, mudei, mudei e continuo a mesma."

bolsinha disse...

vim aqui conhecer seu blog e gostei. voltarei ;)

"... se eu nunca tivesse saído daquela nossa cidadezinha, pra começar, qual seria o tamanho dos meus sonhos, hoje?" te entendo...

bj