segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

A tevê

O vizinho ouviu o estrondo e era a tevê rolando escada abaixo. Minha única tevê agora era um monte de cacos de vidro e plástico no térreo e na calçada. Minha única tevê... tem gente que não dá valor, tem um monte de gente que tem várias tevês em casa, mas eu só tinha essa, só essa. E agora não tinha mais nada.

Então o vizinho abriu a porta e gritou pra todo mundo ouvir que era para tirar aquele lixo da porta da residência dele, vê se pode, chamar aquele buraco de residência, o corno metido a rico.

Eu não conseguia sair do lugar, fiquei olhando os pedaços da minha tevê e parado ali, no terceiro andar, olhando olhando. Daí então vieram as crianças, atraídas pelo barulho e pela gritaria, e começaram a mexer no que tinha sobrado dela. Aquilo foi dando uma raiva, foi subindo, as crianças riam e mexiam nos fios e eu comecei a gritar e berrar olhando aquela cena, era um pecado deixar aquilo assim, eu ameacei pegar a vassoura e elas saíram correndo.

Quando o síndico gordo veio para falar comigo, ameaçando me multar e me botar na rua, eu nem conseguia responder. Continuei ali parado enquanto ele falava e xingava, eu não me mexia ali do terceiro andar, e de repente eu percebi que o sol estava indo embora e tudo o que eu conseguia ver era como era bonita a luz do sol refletida naquele monte de cacos de vidro.

4 comments:

Isabel disse...

Já voltou, meu filho? Me liga! Isabel.

rafaelcoelho disse...

Minha casa é onde colo meu chapéu.

Reload disse...

minha casa é onde eu posso ter um cachorro!

Naná Bia disse...
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